Fundamentos da PNL

brain

A PNL utiliza o poder da linguística, das palavras, para gerar estados emocionais. Todavia, como veremos mais á frente, esses estados emocionais são gerados pelo processamento interno que se faz das referidas palavras. Portanto, é natural que haja leitores que gostem do texto, outros que fiquem indiferentes e outros ainda o considerem despropositado. PNL refere-se a compreender e atuar sobre os estados emocionais a partir do que pensamos e o seu efeito na nossa fisiologia. Apresenta um conjunto de princípios que descrevem a relação entre a mente (neuro) e a linguagem (verbal e não verbal) e como esta interação (entre a linguagem e a mente) pode ser, ou é, organizada (programação) e como esta afeta a mente, o corpo e o comportamento humano.


Para um melhor entendimento, se leitor pensar numas boas férias que passou, se recordar um dia ou um momento particularmente positivo e o reviver como se fosse agora, pode constatar que o seu pensamento é composto por imagens, sons, sensações, cheiros e se, no que recordou, estiver a beber ou comer, o paladar. Pode também constatar que essa recordação o faz sentir emocionalmente bem, ou com saudades e, se alguém o estiver a observar, notará que o seu corpo manifesta o seu pensamento e o seu estado emocional: uma sobrancelha pode subir; pode sorrir; ficar com o olhar no vazio; ou até fechar os olhos, entre outros milhares de manifestações possíveis.


É este o campo de intervenção da PNL, não só no indivíduo per si, mas também na relação com os outros. Tudo começou em 1972, quando os americanos john Grinder (professor assis- tente do departamento de Linguística da Universidade da Califórnia) e Richard Bandler (especialista em matemática e computadores, que estudava psicologia na mesma universidade, e que se interessava por psicoterapia), decidiram estudar a excelência de grandes terapeutas: Fritz Perls (gestalt); Virginia Satir (terapia familiar) e Milton Ericsson (hipnoterapeuta). O objetivo do seu estudo era apurar os padrões comuns a esses terapeutas e perceber o que os tornava excelentes. Para isso modelaram os padrões de linguagem dos terapeutas que eles mesmo foram utilizando e atingindo excelentes resultados. Em 1976, decidiram chamar ao que descobriram nos seus estudos "Programa- ção Neurolinguística (PNL)".


Como já referimos, a PNL foi cofundada por jonh Grinder e Richard Blander em Santa Cruz, Califórnia, Estados Unidos da América. Porém as ideias dos cofundadores e as abordagens apresentadas pela PNL estão sustentadas em variadíssimas áreas de influência. Uma grande influência sobre PNL foi Gregory Bateson - fundador da Escola de Palo Alto. O antropólogo, que exportaria para a PNL o conceito de Ecologia e fruto dos seus múltiplos estudos (desde a Comunicação e Teoria dos Sistemas, à Biologia, Cibernética, Antropologia, Psicologia, Psicoterapia e Etnologia), é por muitos considerado um grande mentor e influenciador do pensamento de Grinder & Blander.

Gregory Bateson acreditava que o «sentido das coisas» só poderia ser encontrado inserido num contexto de relativismo subjetivo. Este pensamento terá influenciado a pesquisa não-científica de Bandler & Grinder sobre a natureza da experiência subjetiva. O termo «não-científico» é usado porque a ciência busca encontrar o objetivo, fazendo o mesmo quando se trata de um indivíduo; ora, a PNL busca encontrar o que é único sobre cada indivíduo, busca o «subjetivo». Tudo começa com o estudo de Frits Perls, um dos principais protagonistas e
fundadores da Terapia Gestalt. Perls era um autor publicado por Robert Spitzer. Como Perls morreu em 1970, deixando atrás de si um trabalho inacabado, Spitzer a pediu Bandler para transcrever gravações que Perls fazia durante as suas sessões de terapia, para assim poder editar um manuscrito incompleto, a ser publicado postumamente.


Com base nas transcrições que fez, e nos padrões que apurou, Bandler começou na Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, a fazer sessões de terapia de grupo «do tipo gestalt». O trabalho que efetuou foi alvo da atenção de muitos estudantes e, em particular, de um dos professores de Linguística na Universidade, John Grinder. Depois de assistir a várias sessões, Grinder terá abordado Bandler com várias observações e algumas perguntas. Depois começaram a trabalhar juntos para desenvolver uma sintaxe comportamental para a terapia da gestalt — terá sido este o primeiro grande trabalho de modelagem. Adotando uma abordagern de «se funciona, usa-o; se não funcionar, tenta outra coisa» eles analisaram os escritos e gravações de Pearls para descobrir o que produzia os resultados notáveis. Alguns conceitos que foram trazidos para a PNL por influência de Fritz Pearls são: a gestalt e a perceção (o todo é diferente da soma das partes), a responsabilidade, a escolha, o paradoxo, o comportamento, as necessidades, os valores e a congruência.

Depois, Bandler conheceu a terapeuta familiar Virginia Satir, que tambérn apresentava grandes resultados na sua atividade clínica. Bandler começou a assistir às sessões de Virginia Satir — muitas vezes em instituições psiquiátricas. É então que Blander constata as semelhanças entre o que Virginia Satir e Frits Perls fazem e, a partir dessas semelhanças, construiu a ideia de como o sucesso da terapia ocorre. É neste momento que constata que «aquilo que faz a diferença» da ação de Satir é inconsciente para ela. A influência de Virginia Satir na PNL está presente em conceitos como: família e sistemas; sistemas de representação: visão, audição, tato, paladar e cheiro; matching (corresponde, bate certo); predicados; feedback. Para além da inspiração conceptual, o papel de Gregory Bateson na PNL é reforçado, pois foi ele que apresentou a Grinder & Bandler, o famoso hipnoterapeuta Milton H. Erickson e também fundador da American Society of Clinical Hypnosis.

Ao observarem o que Erickson fazia em hipnose e terapia constataram que o seu padrão era o oposto do que os terapeutas como Frits Perls e Virginia Satir faziam com os seus clientes. Frits Perls e Virginia Satir apresentavam um rnetamodelo que se esforçava para trazer clareza e revelar a estrutura profunda do Cliente. O «metamodelo inverso» de Milton Ericsson era artisticamente vago». O modelo de Ericsson ignorava a mente consciente e comunicava diretamente com a mente inconsciente. Em vez de guiar os seus clientes, Ericsson permitia que estes — com base numa linguagem aberta — se auto orientassem e pudessem retirar das suas palavras os significados que melhor lhes fizesse sentido na sua experiência e nomeadamente à resoluçâo dos seus problemas singulares, ou seja, criar a sua própria rota para a solução. De Milton Ericsson a PNL utiliza os conceitos: aceder ao inconsciente; metáfora; humor; trocadilhos; transe; comandos; enigrnas, charadas; paradoxo; reenquadrar ou resignificar — reframíng. Naturalmente, Grinder trouxe para a mesa o seu conhecimento linguístico da «semântica geral» e da «gramática generativa transforrnacional».

Assim, destaque-se o linguista Alfred Korzibski, fundador da «semântica geral» e autor de urn dos pressupostos mais paradigrnáticos da PNL: «o mapa não é o território». Korzibski reforça que o ser humano confunde as perceções e a linguagem com o que crê ser a realidade, reforçando que nós — através das nossas perceções e da linguagem — codificamos a realidade e, assim, criamos a nossa própria realidade. Refere ainda as limitações da linguagem, na medida em que toda a linguagern fala em metáforas, pelo facto de expressarern o que uma «coisa» parece ser e não o que essa 'coisa» exactamente é.

Outro grande pilar de influência da PNL é o linguista e filósofo Noam Chomsky que, através da «gramática generativa transformacional», evidencia o processo de transformação que ocorre entre a experiência subjetiva profunda do indivíduo e a linguagern supethcial utilizada no dia-a-dia. Chomsky apresenta a diferença entre a «estrutura de superficie» (as frases compostas por palavras) e a «estrutura profunda» (a experiência subjetiva que gera as frases compostas por palavras).Têm a influência deste linguista princípios como: «mapas inadequados e pobres resultarn de falhas de perceção e pensamento»; «os pressupostos de que o pensamento é descrito na linguagem», «mais do que as palavras, o importante são as experiências que elas proporcionam».

Uma outra linha de influência é a Matemática e a Computação. A cibemética e uma visão interdisciplinar de como os sistemas são organizados com base no feedback — estas influências remontarn aos anos 40 a 60 do século xx — ocupam um papel de relevo nos modelos da PNL. Termos como os «níveis de abstração», «modos de pensar» e chunking (segmentação para cima — generalização — ou segmentação para baixo — especificação) são elementos que estão muito presentes na ação em PNL..

Muitas vezes esquecido, o «movimento de autoajuda», que surgiu nos EUA em meados do século xx, terá moldado a PNL mais do que é geralmente reconhecido. A enfase da PNL sobre o potencial de uma pessoa para mudar a si mesma, melhorar as suas habilidades para atingir o sucesso pessoal, refletem uma cultura de auto-desenvolvimento que encontra paralelismo no clássico de Dale Carnegie: How to Win Friends and lnfluence People — «Corno Fazer Arnigos e Influenciar Pessoas» (publicado pela primeira vez em 1936 ); e no também famoso Iivro de Norman Vincent Peale: Power of positve Thinking — «Poder do Pensarnento Positivo» (de 1952). Ao que tudo indica, este movimento de positivismo e crença no potencial humano in- fluenciou de sobremaneira os modelos e princípios da PNL. Este movimento do potencial humano tarnbém foi bastante significativo na década de 1 960 e a Califórnia tornou-se o centro do movimento de crescimento, sendo como corolário desse protagonisrno a fundação em Big Sur do Esalen Institute, ern 1962, no qual os psicoterapeutas Virginia Satir e Fritz Perls estiveram envolvidos.

Tambérn o Palo Alto Mental Research Institute — a famosa Escola de PaIo Alto fundada por Bateson na década de 1960, enfatizou através da pragrnática da comunicação humana, o que também caracteriza a PNL e o construtivismo (que é a ideia de que as pessoas não podem conhecer o que é a «realidade» em si mesma, por isso, inevitavelmente, agem de acordo com as construções que fazem da realidade.

Finalmente refira-se a influência que remonta ao início da década de 1920, quando o biólogo alernão LudwingVon Bertalanfy criou a Teoria Geral dos Sistemas. Esta teoria procurava forrnular generalizações sobre como as partes e o todo se relacionavam, independentemente das disciplinas nas quais eram observadas. Na teoria geral dos sistemas é dada ênfase à interrelaçåo e interdependência entre os componentes que formam um sistema que é visto como uma totalidade integrada, sendo irnpossível estudar os seus elernentos isoladarnente. Bertalanfy descreveu os organismos vivos como sistemas abertos, que interagem com o ambiente através de trocas de matéria, energia ou informação por inputs contínuos recebidos e outputs enviados para este. Esta perspectiva e o pensamento sistémico influencia muitos dos princípios da PNL, onde realçarnos que «o corpo e a mente são partes do mesrno sistema: a mente afeta o corpo e o corpo afeta a mente». Outras influências podem ser referidas: Edward T. Hall (Antropologista e Consultor) — a integração do espaço da pessoa, na relação com o meio social; Ross Ashby com a Lei do Requisito de variedade; George Miller e o mágico número 7 +/- 2; Karl Pribrani, neurologista; Katharine C. Briggs e Isabel Briggs Myers que desenvolveram o Myers-Briggs Type Indícator, Paul Watzlawick, co—fundador da Escola de Palo Alto; Frank Farrelly e a Psicoterapia Breve, Carl Rogres e a Terapia Centrada na Pessoa; Eric Bern e a Análise Transacional; Karl Pribram, George Miller e Eugene Galanter e o modelo TOTE.

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